#26, Mundialito Árabe

Izabella, uma amiga gorda que só pensa em comida (amizades por interesse ;), jogou a ideia no ar: que tal um post que proponha um duelo entre opções de um mesmo tipo de comida? Uma forma de homenagear o salgado nosso de cada dia, aquele que a gente come recheado de queijo, carne, frango com catupiry ou qualquer outra combinação disponível…

Num mix de vontade de passar um dia comendo besteira, reunir os amigos e celebrar a nova novela da Glorinha Perez (Salve Jorge!), decidimos criar o Mundialito Árabe – A busca pelo sabor perdido. O título, que renderia um ótimo blockbuster em 3D, surgiu quando Izabella, a mesma amiga gorda que propôs o duelo, desafiou: conheço um lugar que vende a melhor esfirra da cidade, é no Centro e abre nos finais de semana.

Ela não descansaria até convencer a todos de que o Beduíno, o tal lugar recomendado por ela, era o dono da melhor esfirra da cidade. Para evitar que esta afirmação se transformasse em verdade sem ao menos darmos chance para outros restaurantes, o mundialito se tornou inevitável.

Então, em homenagem à juventude politizada da primavera árabe, às dançarinas do ventre e aos fumantes de narguilê… (sobe a trilha) fomos em busca da melhor esfirra do Rio de Janeiro. Formando um júri especializado (em comer), os 4 integrantes que fizeram parte da disputa indicaram, cada um, 1 lugar a ser visitado. Além das 4 sugestões, mais uma foi incluída pelo Diego, o mais árabe dos amigos, mas que refugou ao mundialito na última hora.

As paradas das baleias do golfo pérsico: Camelos (acima à esquerda), O rei do Quibe (abaixo à esquerda), Rotisseria Sirio Libanesa (acima no meio), Yalla (abaixo no meio) e Baalbek (à direita).

A missão gastro-cultural foi árdua, amigos leitores, mas fomos de coração aberto, estômago vazio e muita vontade de colocar os “pingos nos i’s” em busca do veredito que andou tirando o sono de muitos cariocas esfomeados. Vamos ao banquete:

1ª parada :: Camelos, Tijuca (Praça Saens Peña) :: r$26
Foi o ponto de partida por ser a mais zona norte das opções da rota, por isso mesmo o Camelos teve uma sorte e tanto: por ser o primeiro, os ânimos estavam inflados e os estômagos vazios. Todo mundo querendo provar que conseguiria passar bem pelo mundialito, por isso fizemos lá o maior número de pedidos.

A esfirra de carne ganhou muitos pontos com seu recheio super temperado, com leve toque de noz-moscada. A louça da casa também era uma gracinha e conquistou as meninas, mas as vantagens do Camelos acabam aqui.

No geral, a massa das esfirras era mole. Além da de carne, comemos a de queijo branco e ricota com espinafre, ambas bem sem graça: pouco recheio, pouco sabor e ressecadas. Além dessas, pedimos a esfirra aberta de carne com cobertura de tahine, que era mais bonita do que saborosa. O molho em excesso mascarou o sabor da carne (que era bem temperada) e a massa folheada não combinou com a proposta. Sem contar o atendimento, frio e numa certa hora grosseiro. Camelos, até nunca mais.

2ª parada :: O Rei do Quibe, Centro (Saara) :: r$9,5
A segunda parada do dia fugiu ao planejamento inicial. Antes que batam na gente e digam: “como vocês não foram n’A padaria árabe da Uruguaiana?”, avisamos que a intenção era essa. A Bassil, na Senhor dos Passos, há muito carrega a fama de ter a melhor esfirra do Rio, quiçá do Brasil. O renome do lugar não impediu que o destino interferisse e, quando chegamos à porta da loja de azulejos preto e branco, fomos informados sobre o fim das esfirras daquele dia. Uma pena, mas aproveitamos para conhecer uma lanchonete próxima, que se autoproclama “rei” no assunto.

O mais botecão dos lugares visitados, o Rei do Quibe investe em propaganda e preço baixo. O local peca por não ser convidativo, mas reflete bem o ambiente onde se insere. No meio da muvuca da Uruguaiana, salgados árabes são vendidos num balcão à beira da rua, junto de refrescos e coca de garrafinha em promoções bem abaixo do preço de mercado.

Pedimos uma esfirra de cada: carne, queijo e espinafre. Todas eram boas, sobretudo a massa, que era bem crocante. Os recheios se perderam pela pouca quantidade, mas a esfirra de queijo ganhou pontinhos do grupo. Se estiver de bobeira pelo Centro e a Bassil estiver fechada, não tenha medo de arriscar no Rei, o valor compensa.

3ª parada :: Rotisseria Sírio Libanesa, Largo do Machado :: r$15
A melhor comidinha árabe da cidade, como eles gostam de dizer, foi a terceira parada do dia. Velha conhecida do grupo, desde o início foi considerada a favorita. Ao chegarmos na porta da Galeria Condor, demos de cara com o point árabe mais lotado da região.

O sucesso é enorme e a prova disso está no ponto de venda: a Rotisseria se divide em duas, cada uma em um corredor da galeria. De um lado, um ambiente mais moderno, reformado há pouco tempo, com venda de sucos no enorme balcão e mesinhas para os que querem comer com calma. No outro, azulejos desbotados carregam a marca da geração passada. Como as cozinhas são independentes, existe até rixa de qual porta prepara o melhor salgado. Resolvemos não arriscar e fomos no lado mais tradicional.

Pedimos uma de cada: carne, queijo e verdura, e para beber o famoso mate da casa (matão, para os íntimos) e um refresco de caju. É muito difícil explicar o porquê dessa esfirra ser tão gostosa, mas sendo bem direto diria que a massa é incrível, nem crocante, nem molenga – todas sempre no ponto; o recheio de queijo é sem igual, tem sabor e não é nem um pouco ressecado (um lugar comum das esfirras que comemos por aí) e a de verdura, para os amantes dessa categoria, é simplesmente a melhor da cidade.

Por quê? Pelo diferencial. Ao contrário das demais, a verdura usada na Rotisseria não é o espinafre, e sim a acelga, mais azedinha e saborosa. E de lá saímos com a sensação de que um oponente como esse seria bem difícil de ser batido. (;

4ª parada :: Yalla, Leblon (Dias Ferreira) :: r$25
Para não reclamarem dizendo que a disputa foi pouco eclética, desbravamos além do circuito tradicionalmente árabe em busca da alto gastronomia no assunto – um toque contemporâneo em meio ao tradicional. O Yalla é a versão fast food do mestre dos magos árabe, o Amir de Copacabana.

Pronto para receber casais descolados da “zona sul A” da cidade (infelizmente, isso existe aqui no Rio), a portinha com apenas 6 mesas na calçada vive muito bem frequentada. O ponto forte do restaurante são as saladas árabes – sempre frescas! – e os sanduíches – bem servidos e saborosos -, mas a nossa fome era mesmo de esfirra. Acabamos encontrando a mais diferente do pedaço.

O tamanho dos salgados está diretamente relacionado ao tamanho da loja. No Yalla, só é possível comer esfirras em porções de 3, que são facilmente devoradas por uma só pessoa. Como estávamos na 4ª parada, aproveitamos a finésse da casa e pedimos apenas 2 porções: uma de berinjela e outra de carne.

Olha, confesso que o tamanho era tão diminuto quanto o sabor. Não há nada de errado com as esfirras do Yalla, só não são lá muito ricas em textura e temperos. São micro salgados, gigantes apenas no preço (r$7 a porção). Volto a repetir, não estamos aqui para colocar o Yalla pra Cristo, mas na comparação com os bares tradicionais, o salgadinho nosso de cada dia parece não pertencer à realidade do restaurante contemporâneo.

5ª parada :: Baalbek, Copacabana (Galeria Menescal) :: r$22
16 esfirras depois, eis que chegamos ao final da nossa jornada. Para fechar a cruzada pela cidade, acabamos no espaço que há mais de 50 anos serve comida árabe na Galeria Menescal, um verdadeiro exemplo de tradição no assunto.

Tivemos uma baixa e ficamos apenas em 3, mas nada poderia abalar a nossa fome naquele momento. Na porta da galeria, um susto!, as grades da entrada anunciavam o fim antecipado do circuito, mas graças a nossa extensa negociação com o porteiro, conseguimos entrar e fazer os últimos pedidos do dia da Baalbek.

Como estava quase fechando, a esfirra de carne ficou pra outro dia (ficou mesmo: li muito sobre a fama dela), o que nos deixou de opção as de queijo e de espinafre. E, nessa hora, algo que parecia impossível aconteceu: numa disputa ponto a ponto, a esfirra de verdura da Baalbek marcou um gol no último minuto da competição e virou o jogo conta a Rotisseria do Largo.

A foto acima entrega, o espinafre não entrou em campo sozinho, contou com o apoio de um refogado de sabor único até então, e com esse time levou o caneco de melhor esfirra da cidade pra casa. Parabéns, Baalbek! E pra fechar, claro, a sobremesa, afinal, nada deve parecer impossível de se comer. (:

Os muitos docinhos árabes ainda enfeitavam o balcão, o que os deixava ainda mais irresistíveis. Dentre as várias opções, pedimos o folheado de nozes com pistache, o aletria de nozes e outro de pistache, todos regados com mel árabe. Uma delícia!

Nesse momento, vocês devem estar se perguntando: “Ué, mas cadê o Beduíno?” Eis que o universo parecia querer colocar barreiras contra o mundialito a qualquer custo e, para nossa infeliz surpresa, a tão aguardada esfirra aberta do Beduíno teve que ser prorrogada para uma outra ocasião. O restaurante, que fica aberto aos sábados até as 17h e nos dias de semana até as 23h, estava excepcionalmente fechado por conta do feriado na sexta-feira anterior. ):

Uma pena, mas nada que diminua a importância do campeonato. (;

Depois de gastar r$98 (para as quatro baleias) e ficar com a barriga bem cheia, nos despedimos desse dia tão saboroso. A ideia do mundialito pode ser levada para qualquer outra iguaria, pois ajuda a esclarecer os reais motivos que levam as pessoas a escolher uma opção à outra. Para essa viagem, a rota foi feita de carro e durou aproximadamente 6 horas. Pra quem se interessar, esses restaurantes também estão no caminho do metrô e é bem fácil de percorrer usando o transporte público.

E por favor, não nos levem tão a sério, a competição é só uma desculpa esfarrapadíssima pra passar um sábado agradável com os amigos. Se quiserem descobrir qual é a sua esfirra favorita, convidamos você para percorrer a rota das arábias, ou quem sabe inventar o seu próprio percurso. E bom apetite!

***

Com esses jurados não tem W.O. (Diego, #ficadica): Fábio e Izabella, até a próxima competição!

***

Camelos
Rua Soares da Costa, 69 B – Tijuca
Tel. 3268.6300

Padaria Bassil
Rua Senhor dos Passos, 235 – Centro
Tel. 3970.1673

O Rei do Quibe
Rua Senhor dos Passos, 129 – Centro
Tel. 2224.4796

Rotisseria Sírio Libanesa
Largo do Machado, 29 – Ljs. 16 à 19, 32 e 33 (Galeria Condor)
Tel. 2557.2377 e 2205.2047

Yalla
Rua Dias Ferreira, 45 A – Leblon
Tel. 2540.6517

Baalbek
Av. N. S. de Copacabana, 664, lj 17 (Galeria Menescal)
Tel. 2255-4574

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Essa publicação foi escrita por eduardo blog.rhem e publicada em 25/10/2012 às 16:58. Está arquivada em $ baratinho, Café da manhã / Lanche, Take away e marcada , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

Uma opinião sobre “#26, Mundialito Árabe

  1. Olha, não comi a esfirra de verdura do Baalbek, mas já comi a de queijo… e ela perde feeeeio, mas muito feio para esfirra de queijo da Rotisseria! Da próxima vez que for para yoga vou passar lá e comer uma de espinafre! bjocas

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