#23, Barsa (CADEG)

Um mês se passou desde que as últimas baleias foram vistas por essas águas. Parece que, entre férias, olimpíadas, despedidas e festa de aniversário, elas foram para o alto-mar, longe do alcance dos leitores que adoram as suas aventuras gastro-gordo-nômicas. Mas se engana quem pensa que as baleias não se alimentaram nos últimos 30 dias: entre  sardinhas cariocas e salmões nova-iorquinos, nos fartamos pelas águas do atlântico.

E no Rio, acabamos encalhando num porto tão antigo quanto a nossa vontade de conhecê-lo: o Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara, ou CADEG para os íntimos. Famoso pelo mercado de flores e atacado de enlatados, bebidas, verduras e peixes, esse mercado tradicionalíssimo recebe muito bem os que vão pra lá em busca de comida – farta, de preferência.

Num domingo cinza e preguiçoso, daqueles que a gente acorda tarde, sabe que não tem nada na geladeira e mesmo assim fica enrolando pra sair de casa, a chuva fina nos perseguiu até Benfica. Entre sacos de batata, restaurantes lotados e provinhas de vinho, o dia começou a ganhar vida. Mas com a fome crescendo, percebemos um erro quase amador de nossa parte: não tínhamos nenhuma dica matadora de onde sentar, e precisávamos desesperadamente saciar aquele desejo gordo de um domingo moroso.

Num cálculo rápido, que envolvia custo x tamanho dos pratos x movimento do restaurante x fila de espera x tipos de comida, demos um passo no escuro em direção ao Barsa – uma grata, porém cara surpresa. Vejam só:

Entrada :: Mix de bruschettas de funghi, tomate seco e salaminho :: r$ 28
Amigos, sério, muito sério: essas foram as bruschettas mais gostosas que eu já comi (digo isso sem nunca ter ido a Itália). As de tomate seco e de funghi estavam mais saborosas do que a de salaminho, mas em todas o pão estava no ponto certo (um bom aprendizado para a Prima Bruschetteria). E o tamanho, como tudo no Barsa, alimentava uma família inteira. Éramos 4 e uma porção de 6 foi mais do que suficiente para acalmar a fome latente.

Prato principal :: Arroz de pato (porção para 2) :: r$ 98
Pelas críticas lidas depois que saímos de lá, descobrimos que a fama do Barsa está justamente nos pratos de origem colonial, com grandes porções e de carnes muito frescas – estando dentro de um mercado popular, ele é o vizinho dos vendedores que fornecem tudo fresquinho para toda a cidade. Entre as lindas e bem servidas porções de bacalhau, coelho e paleta de cordeiro que aterrizavam nas enormes mesas vizinhas, fomos mais modestos na porção pequena de arroz de pato. Pequena, porém satisfatória e deliciosa. Eu, amante dessa iguaria, raspei a panela de pedra até não sobrar um único grão.

Apesar da boa comida, ficamos um pouco incomodados com a pressão (velho hábito carioca) em consumir e gastar e pedir os maiores pratos e gastar mais. Como uma das poucas opções gourmet do mercado, o Barsa não é nada barato, e os preços assustam os desprevenidos. Os pedidos acima, somados a algumas cervejas de garrafa, suco e refrigerante, custaram r$ 154 no bolso das baleias preguiçosas. Além disso, um detalhe no cardápio nos incomodou um bocado: O aviso “este cardápio tem o valor de r$ 150” soou como uma atitude grosseira e pouco convidativa do restaurante.

Tudo bem, perdoamos a falta de polidez da casa e saímos de lá felizes, com a barriga quentinha num dia frio para os cariocas. A dica, aliás, é essa: a comida do Barsa combina com esse clima SP que abraça o ‘Rio de sol, suor e mar’ entre junho e setembro. No verão (ou no inferno, como preferir chamar), o estilo colonial dos enormes pratos servidos num corredor abafado do mercado pode ser pesado demais para quem ainda quer curtir o fim do dia.

Pra finalizar, ao sair dali descobrimos que o Barsa não tem carta de vinhos devido a uma política de boa vizinhança, afinal, a maior distribuidora de bebidas da CADEG fica ao lado do restaurante. No lugar da carta, o cliente pode comprar o vinho na loja (num preço mais acessível) e pagar a rolha amigável do restaurante. Mais do que política, o Barsa entende como sobreviver (e ser reconhecido por isso) num ambiente ainda pouco frequentado pelos cariocas.

Em época de olimpíadas em Londres, a capital mundial dos mercadinhos de rua, o Rio pode (e deve) fazer esse movimento crescer por aqui.

***

Em homenagem as melhores comidinhas da vida nos mercados ingleses: Borough Market, Broadway Market, Portobello Market, Brick Lane Market, Sunday Up Market e Candem Town.

***

Com os mesmos papos, dúvidas e anseios da Juju e do Sabogas, que batem ponto mensalmente por aqui.

E para a Juju, a gente deixa aquele abraço. :)

***

Barsa (Cadeg)
R. Capitão Félix 110 – rua 4  Benfica
Tel. 2585.3743

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Essa publicação foi escrita por eduardo blog.rhem e publicada em 16/08/2012 às 20:46. Está arquivada em $$$$$ salgado, Almoço, Regional e marcada , , , , , , , , , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

4 opiniões sobre “#23, Barsa (CADEG)

  1. juju em disse:

    aguardem

    • Obrigado pelo resenha, o Barsa é uma casa que prima pela qualidade e

      custo/benefício.

      Criei um cardápio de cozinha de colono, buscando os pratos que remetem aos

      imigrantes portugueses, espanhois, italianos e franceses. São poucos pratos, mas

      que buscam lembranças e momentos lúdicos.

      São clássicos sob a ótica do chef, em que buscamos frescor dos ingredientes, sabor,

      apresentação, textura e reduçaõ de gordura.

      Nosso objetivo é oferecer o melhor sempre, em um ambiente acolhedor, porém

      informal.

      Investimos em um novo salão refrigerado e em um banheiro a mais para cadeirantes.

      Trabalhamos com o melhor bacalhau, Gadus Morhua, no mais nobre corte (lombo

      alto), cordeiro só Uruguaio de primeira linha, galinha caipira e filé tipo exportação, só

      utilizamos azeite extra de oliva na cozinha. São pratos de cocção lenta, que acarretam

      em um gasto maior de gás e mão de obra.

      Temos uma cozinha para pré-preparo dos pratos e outra aberta para finalizar. Todos

      os pratos são porcionados em potes descartáveis para melhor controle de qualidade e

      validade.

      Por esses motivos fomos parabenizados pela fiscalização sanitária, que inclusive tirou

      fotos para serem usadas em palestras como exemplo. Sendo citado como uma das

      melhores casas do Rio em respeito ao cuidado com os produtos que são servidos.

      Por estes motivos ganhamos em 2011 o prêmio da Revista Veja, como

      melhor Restaurante Bom e Barato do Rio de Janeiro, no Globo fomos selecionados

      como um dos onze imperdíveis programas do Rio de Janeiro em 2011, neste ano

      fomos escolhidos como o segundo melhor restaurante popular do Rio, pois é muito

      difícil encontrar uma boa cozinha com produtos de tanta qualidade com todos

      estes cuidados e por que não dizer também, fartura.

      Desculpem-nos pela indelicadeza de colocar preço pelo cardápio, mas os mesmos são

      feitos em São Paulo por um artesão, são muito bonitos, mas custam caro e demoram

      dois meses para ficarem prontos. Assim não estávamos conseguindo repor em tempo

      útil para atender a todas as mesas, o que acarretou em problemas na hora de receber

      nossos clientes.

      Aos domingos temos uma maravilhosa roda de choro indicada em 2012 pelo Rio Show

      Gastronomia, Revistas Veja e Época, como um dos melhores lugares do Rio de

      Janeiro para escutar música ao vivo.

      Estou ao seu dispor para mais informações ou dúvidas.

      Barsa. Boa mesa, bons momentos.

      Atenciosamente,

      Marcelo Barcellos
      Sócio e Chef Executivo
      Barsa Restaurante
      Tel: 2585-3743 / 7853-3694

  2. Adilson Mossamedes em disse:

    Galera, realmente este arroz de pato da CAdeg eh fantastico. estou em SP e acabei de ver um “que maravilha” no GNT sobre este prato. O da TV parecia muito bom, mas deu vontade de falar ao Claude: “Va filar um rango com o Marcelo do Barsa, que ‘e fantástico’.
    abs.

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