#21, Guerin Boulangerie

Viajar, pra mim, é o maior prazer da vida. Vivo 335 dias do ano pensando no que fazer nos 30 em que estarei de férias em algum lugar do mundo. Não existe sensação melhor do que conhecer outro lugar, outra cultura, outras pessoas e claro, outras comidas.

Por 2 vezes estive em Paris, a cidade mais charmosa que já conheci. A sensação que tenho é que ela foi congelada no tempo: algo em torno da exposição universal de 1889. Graças a sua arquitetura singular, Paris é totalmente diferente das outras capitais europeias, o que nos faz sempre querer encontrar algo novo na cidade.

Em abril, quando estive lá pela segunda vez,  procurei ir a lugares que ainda não conhecia, mas por falta de tempo e de pesquisa adequada, confesso que acabei deixando para uma próxima visita uma excursão em busca das mais famosas boulangeries locais. Afinal, é sempre bom ter um motivo para voltar a uma cidade que você ama, não é?

doces e pães nas boulangeries parisienses

Na ânsia de provar os quitutes das padarias francesas, a baleia que vos fala deixou o bigode crescer, fez bico pra ensaiar a pronuncia do nome dos doces e acendeu um cigarro sem filtro, daqueles enrolados à mão no caminho do metrô. Do alto da minha pose de ator de filme do Godard (é só pose mesmo) e na companhia da carioca mais francesa que conheço, chegamos à Av. Nossa Senhora de Copacabana.

Bienvenue à Guerin Boulangerie.

E se você é daqueles que viaja e quando volta fica se perguntando porque diabos o pão de sal no Brasil é tão sem graça, chegou a hora de estampar um senhor sorriso com a nova empreitada do chefe francês Dominique Guerin. Sua loja em Copa impressiona logo na entrada, com a enorme cozinha exposta na vitrine. Todo o trabalho, que normalmente é mantido atrás dos mistérios dos balcões, à vista de qualquer transeunte. C’est magique!

Mas então, chega de papo e vamos logo aos pedidos? Oui oui!

Pedido #1 :: Mil folhas de creme :: r$6,5
A Tais estava louca pelo mil folhas. Chegou lá, não se aguentou e pediu o tão sonhado doce. Conclusão: fez uma senhora lambança enquanto comia e ainda ficou  dizendo que era bom, mas longe de ser o melhor da vida. Agora só não dá pra saber se o problema estava na enorme expectativa da pessoa ou no mil folhas em si.

Pedido #2 :: Tartellete de mirtilo e tartellete de crumble de maçã :: r$7,8 (cada)
Já eu sempre prefiro os doces de fruta, especialmente os de maçã ou banana. Fui na escolha certeira da tarde: o crumble infalível. Estava bem gostoso, pouco doce (do jeito que eu gosto) e com uma massa super leve, apesar de não parecer tão leve assim na foto. Logo depois, dividimos um tartellete de mirtilo, (blueberry para os íntimos), que estava muito sem graça e sem gosto, uma decepção. Quem mandou pedir um doce à base de uma fruta pouco cultivada no Brasil e, ainda por cima, fora de época? ):

Pedido #3 :: Tartellete de limão siciliano :: r$7,8
A boa mesmo foi na segunda rodada. Erika, recém chegada do extremo norte do planeta, estava em busca da doce lembrança do sabor tropical. Sua torta de limão siciliano com chantilly era leve e saborosa, além de visualmente linda (o momento do ataque ganhou o destaque do post). Aprovada e recomendada!

Pedido #4 :: Suspiro de amêndoa com recheio de avelã :: r$8,3
Mas, chegando ao fim, nada se comparou ao m-e-l-h-o-r pedido. Nunca tinha comido um doce parecido: a base de suspiro era extremamente leve (afinal, era suspiro), mas tinha um sabor muito bom de amêndoa. O recheio era de avelã – preciso dizer mais alguma coisa? O mais incrível era a sensação na hora da mordida, o recheio estava gelado e o suspiro crocante. Poderia ter repetido 100 vezes (aproveito e começo agora a campanha: #torta de aniversário de suspiro de amêndoa).

A verdade é que coisa boa a gente reconhece de longe. O entra e sai é bastante intenso e várias vezes a fila do Guerin ia até a calçada – muita gente encara porque sabe que compensa. Apesar da excelente qualidade dos doces, a impressão que fica pra quem passa um tempinho lá dentro (afinal, precisávamos colocar o papo em dia) é que eles têm problemas com a organização. O pequeno salão, apesar de lindo, é confuso para quem não está acostumado. São poucos os lugares para se sentar e a ordem do pedido é invertida da ordem das padarias cariocas: primeiro escolhe e só depois paga.

Além da organização, a casa sofre de um mal moderno que me incomoda muito: o enooorme desperdício de matéria-prima. Cada pedido vem numa bandeja com papel-bandeja, apoio do doce em papelão, guardanapo E talheres descartáveis embalados em saquinho plástico. Toda essa comitiva pra devorar um tartellete em apenas 3 mordidas (no meu caso). Querido Guerin, favor seguir os eco-passos do Yalla, no Leblon, e oferecer prato e talher não descartável para quem for comer no estabelecimento. A natureza agradece – e os nossos netos também.

Por fim, ainda levamos uma baguete tradicionalmente francesa pra casa (na bagatelle de r$3,5) e uma geleia de morango deliciosa por apenas r$6,5. E o Guerin também oferece outros tipos de pães, bolos e tortas inteiras sob encomenda, tudo fabricado como mandam as receitas originais do seu país. No total, gastamos r$56, o que não é muito caro (vocês lembram que a copa vem aí, não é?), mas gostaria muito de encontrar uma padaria french style aqui no Rio, onde seja possível comer um doce digno de boulangerie, sem ter que deixar meus órgãos na saída para virar freguês.

L’addition s’il vous plaît.

***

Na companhia de Erika Wurts, nossa modelo de mão na foto de destaque, recém-chegada de uma temporada de cupcakes americanos.

***

Guerin Boulangerie
Av. Nossa Senhora de Copacabana, 920 – Copacabana
Tel. 2547.1326

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Essa publicação foi escrita por eduardo blog.rhem e publicada em 05/07/2012 às 02:26. Está arquivada em $$$$$ salgado, Café da manhã / Lanche, Internacional, Take away e marcada , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

4 opiniões sobre “#21, Guerin Boulangerie

  1. ah, minha participação especial finalmente chegou! pena que minhas unhas ainda estavam em petição de miséria! haha. quero ser tipo a christine baranski em “the big bang theory”, ou michael j. fox em “the good wife”, ou… vcs entenderam! qquer personagem recorrente que apareça, no mínimo, uma vez por temporada! e paris é um desses lugares que a gente quer guardar num vidrinho pra revisitar de tempos curtos em tempos curtos, pq mantêm a magia até pela distância que normalmente temos em relação a eles. os 30 dias das férias tb são mágicos por serem extraordinários, ‘fora da norma’, edu – e pela vontade eterna de revisitar, em outro tempo, com outras e mesmas companhias, em novas lembranças. e conferem ainda mais significado aos 335 restantes.
    ps: é pra ler o post ouvindo françoise hardy, assistindo mme. huppert em “merci pour le chocolat”, abrindo a tampinha de “miss dior chérie” e saboreando um macarron da guerin! =)

  2. Olha, eu como moradora e frequentadora assídua hehehe posso dizer que só falta a tartellete de limão siciliano. Amo a mil folhas de paixão e ainda não tinha conhecido ngm que não tenha caído de amores por ela. Não liguei para a tartellete de chocolate belga, mas já a de blueberry e frutas vermelhas… hummmm amo!
    Os macarons realmente não me encantaram. Achei os macarons da delicatess Paradise que também inaugurou há pouco tempo na nossa senhora tb mais gostosos.
    Ah, me surpreendi com a bomba de chocolate, mas não ligo tanto para bomba! heheh
    beijos ju

    • Tais Martins em disse:

      então tenho que dar um pulinho lá só pra testar a bomba de chocolate (porque eu sim amo bombas!). que difícil! :)

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