#20, Bar do Zé

O Rio de Janeiro é dessas cidades que você jura que conhece por inteiro, como a palma da sua mão. Afinal, não é tão grande, não tem tantas zonas e a concentração de lazer é bem definida e divulgada, não é mesmo? Não mesmo!

Embaixo do suvaco do cristo, entre as águas da baía e do atlântico e o limite curvilíneo das montanhas, essa cidade tão espremida ainda guarda bons segredos gastronômicos. Como em Meia Noite em Paris, pegue carona numa viagem ao tempo do Rio bucólico do início do século passado: com vocês, o meu, o seu, o nosso, o de todo mundo…
Bar do Zé.

Escondido numa ladeira escura na tríplice divisa de Glória, Catete e Lapa (dá pra definir com certeza onde fica?), o Bar do Zé – e da Nete também – é uma verdadeira joia bruta, e bota bruta nisso. Um dos poucos lugares do Rio que ainda preserva o status de armazém, as paredes do bar estão repletas de bebidas em prateleiras que vão até o teto – bem longe do alcance do dono baixinho. Tem até uma cachaça muito duvidosa, embalada em garrafa de água sanitária. E aí, vai uma dose?

O pequeníssimo salão quase lotou só com a gente, também não era pra menos: 12 pessoas tentando caber em duas mesas apertadas e alguns em pé, na porta do bar, disputando espaço com gente de outras mesas. O lugar é tão apertado que só dá pra sentar se chegar cedo, mas passar o fim de tarde no meio fio não é uma má ideia – o clima de cidade do interior domina a rua, um convite a vida à moda antiga. (;

Antes que alguém estranhe, é melhor deixar claro desde já: o post de hoje foge um pouco às regras do blog. As opções de comida da casa são pra não deixar dúvidas: sanduíche e frios cortados em cubos, além da batata chips em saquinho. Fora isso, cerveja gelada e um extenso cardápio… de cachaças, claro.

E o atendimento nem entra em questão. A dona Nete, escondida atrás do balcão, parece muito mais preocupada com o desfecho do capítulo da novela numa TV antiga, de tubo, que grita até a hora do jornal nacional. No final do dia, quem comanda a casa e a trilha sonora é o Zé. Dono de um repertório musical mais do que agradável, o fim da noite fica ainda mais interessante com o som do antigo aparelho de CD e algumas cervejas a mais.

Muitas cervejas, papos, discussões políticas, dicas de receitas e novos projetos depois, a fome se tornou inevitável.

Comida :: Sanduíche de linguiça com queijo :: r$6 cada
E diante das poucas opções, o sanduíche de linguiça com queijo pareceu a que mais confortaria as baleias já mareadas de tanta cerveja. O pão francês era macio (detesto quando colocam o pão na chapa e ele fica duro), ainda conservava seu frescor àquela hora da noite e a combinação de linguiça, queijo (minas, veja bem) e cebola é daquelas que não tem como ficar ruim.

Cerveja :: Bohemia :: r$7 cada
Estupidamente gelada, honesta no preço (alguém aqui já pagou r$5,5 no chope do Cabidinho?) e o melhor acompanhamento para uma longa noite de papo.

Cachaça :: Maria da cruz :: r$5 cada
Dentre as diversas opções, essa foi a indicada pela Fê (frequentadora de longa data do bar) e é daquelas que você vai bebendo, vai bebendo… E só percebe que passou da conta muito tempo depois. Ou seja, perfeita!

No Bar do Zé (ouvi boatos de que o nome original é Britan Bar), tudo remete ao século passado. Os aparelhos antigos, a velha máquina registradora, o painel de preços com letras faltando (clássico) e todo o ambiente em volta. Mas quem acha que isso se reflete na frequência do bar está enganado. Cheio de jovens (clima de paquera old style), gringos e intelectuais (adoro escrever isso!), não tem como não se sentir a vontade ali. E no final das contas, os r$102 gastos fizeram as 12 pessoas saírem de lá com uma puta saudade do Rio antigo, daquele tempo quando beber com os amigos era bem menos custoso.

***

Com Eduardo, Tais e grande elenco: RenatoLorenaJujuFábio (Sabogs)Fernanda (Fleur)Bruno CorreiaAna (Monte)Bruno FiuzaBibi e Igor.

E com Carol e Pedro no coração, que graças ao aniversário do Lucas, reuniram todo o cardume para essa pós-comemoração.

***

Bar do Zé
R. Barão de Guaratiba 49  Catete
Tel. 2558.6583

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Essa publicação foi escrita por eduardo blog.rhem e publicada em 22/06/2012 às 19:02. Está arquivada em $ baratinho, Ar livre, Muito amor, Tradicional e marcada , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

7 opiniões sobre “#20, Bar do Zé

  1. fernanda em disse:

    e sugiro um experimento: maria da cruz com paçoca! hehe
    às vezes bate uma lariquinha de doce e o zé, sim, ele vende paçoca p a nossa alegria!
    beijo, queridos, já tava ansiosa por esse post!

  2. Poxa, Taís e Eduardo, parabéns pela escolha. Se eu soubesse que era dia de crônica, com certeza teria ido apesar da dor de cabeça, porque o bar do Zé é o meu preferido disparado de toda a cidade do Rio de Janeiro, na verdade para mim ele é único. Simpatizei de cara. Primeiro pelo mau humor do Zé, ele não faz a menor questão de você estar ali, tem que pagar adiantado, não tem garçom nem 10%, não importa a hora que você chegue ele sempre vai dizer que daqui a pouco vai fechar. Se quiser um copo: espera. Se ficar insistindo: ele pode até mandar você entrar para lavar o copo. Você tem que implorar pelo sanduíche, pois pode não ter pão, ou ele pode estar sozinho e não querer ir lá fazer. Aí ele te convence que é melhor uma porção de salaminho regado no limão. E você aceita porque ele faz uma cara como se fosse te expulsar de lá. Mas não existe lugar para se estar mais à vontade. Sempre consigo lugar lá dentro, porque o pessoal que fuma vai lá para fora. E essa preocupação de mandar fumar lá do outro lado da calçada é providencial, pois a fumaça lá de fora não entra no bar. A cerveja… eu, que não gosto muito, posso dizer que aprendi a gostar lá e durante um bom tempo só fazia sentido beber cerveja lá. Além da cerveja, tem coca de garrafa de vidro, tem a cachaça da Fernandinha, o sanduíche de linguiça, se der sorte ainda tem uma mostarda escura escondida em algum canto que se você for esperto acha (porque o Zé não faz questão de agradar, certo?).
    O repertório musical é fino e ele deixa o cd repetindo, do jeito que eu gosto, se você der sorte você ouve a mesma música três vezes. Lembro uma vez que repetiu a música do Gonzaguinha, aquela da cama de gato, umas 4 vezes e para mim aquilo tocando ali, bebendo uma cerveja, comendo um sanduíche de linguiça com queijo, resumiu tudo:

    “É cama de gato, olha a garra dele
    é cama de gato, melhor se cuidar
    No campo do adversário é bom jogar com muita calma
    Procurando pela brecha pra poder ganhar”

    Ainda tem o banheiro poético… ou seja… é algo assim para ser experimentado em sua integralidade. É difícil descrever tudo, porque não é só visual, nem degustativo, nem auditivo, é como estar presente por inteiro num ambiente, sem antes nem depois.
    Além disso, tem de bom que ele fecha cedo, na hora que meu olho já está fechando também. Se o Woody Allen quisesse filmar Meia noite em Paris lá não ia conseguir, porque ele podia até negociar virar Paris, mas meia noite?… ele ia fechar antes só de sacanagem.

  3. fernanda em disse:

    haha o zé é especial mesmo…
    ahhh vou compartilhar minha última experiência no zé p mostrar como é peculiar a sua relação com o tempo e o dinheiro, sendo ele um comerciante.
    cheguei no balcão e ele foi dizendo: às dez, vou fechar.
    eu: pq, zé? hj é sábado!
    zé: ah, hj eu quero ir p rua, tô aqui o dia inteiro! ontem, vc precisava ver, tava muito cheio!
    por coincidência, a luz da rua acabou antes das dez até. o pessoal aproveitou p fazer piada, dizendo que então ia ficar pq senão não pagariam. zé logo respondeu já baixando a porta “ahhh precisa não, paga não”.
    enfim, fechou mesmo, o sanduíche que o lício tinha pedido obviamente não saiu e não deu tempo nem de terminar a cachacinha. e p não irritar o zé pedindo um copinho plástico, achei melhor sair do bar com o copinho de vidro na mão e devolver depois..
    e vou devolver!! o zé impõe o respeito e faço questão de devolver!! hehe
    aí, é mais um pretexto p gente voltar lá. =)

  4. keiji em disse:

    Lício, lembrando que no banheiro poético (masculino, pelo menos), tem até citação de Walt Whitman. É pura poesia!

  5. Alexandre em disse:

    Ok. Mas Lapa nao faz divisa com Catete. hehehe

  6. Carla em disse:

    Infelizmente, não conheço o Zé tanto assim… Sou da época do antigo dono, o Sr Rocha!
    Inclusive me disseram que o Zé mantém um funcionário daquela época, o Joãosinho, maior figura.
    Morei lá muitos anos, passei os melhores momentos da minha infÂncia e adolescencia, saí de lá em 1983…Pretendo ir pra conhecer essa figura chamada ” Zé ” !!!!

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